Fig. 1- Epitélio de Revestimento da Bexiga - ET (PUCRS)
O que significa o termo Epitélio?Tellus (do latim) significa terra, o pavimento do edifício e
Epi é um prefixo para designar o que está encima. Historicamente, o corpo tem sido relacionado à "terra": "
do pó viemos e ao pó voltaremos ...". Logo, epitélio é o revestimento dos órgãos do corpo.
O papel básico dos epitélios é o de revestir órgãos ou cavidades do organismo, podendo atuar como uma barreia ou realizando complexas atividades bioquímicas, tais como: secreção de produtos especializados (exemplos: hormônios, muco, leite, lágrimas); absorção de nutrientes; detecção de sinais (exemplos: células fotorreceptoras dos olhos e células ciliadas dos ouvidos).
Existem mais de 200 tipos de células diferentes no corpo de um vertebrado. Elas estão, na sua maioria, organizadas em epitélios.Os epitélios são constituídos por células geralmente poliédricas, justapostas entre as quais há pouca substância intercelular. Em alguns casos a camada se apresenta com muitas células, o que a torna espessa e estratificada, como ocorre na pele. Em outros casos eles se apresentam como uma camada única ou simples, como o revestimento do intestino e estômago.
Fig. 2: Epitélio do intestino delgado: 1- borda estriada; 2- núcleos;
3- células caliciformes. (UERJ)
As células dos epitélios podem ser altas (chamadas de colunares, cilíndricas ou prismáticas, fig. 2), cúbicas ou achatadas (chamadas de pavimentosas ou escamosas).
As células epiteliais devem criar barreiras nos organismos multicelulares, para isso, a manutenção da união entre as células epiteliais requer um conjunto de estruturas de membrana especializadas em adesão celular (fig 3).
Fig 3- Estruturas de adesão (
UCP)
Tais barreiras desempenham o mesmo papel da membrana plasmática dos unicelulares. Ou seja, os epitélios mantem algumas moléculas no interior e outras no exterior; absorvem nutrientes; exportam metabólitos; captam sinais ambientais; protegem o organismo da invasão por microorganismos e evitam a perda de líquidos.
A grande diversidade dos epitélios se deve, em parte, à sua origem embrionária, pois os epitélios se originam a partir dos três folhetos embrionários (ectoderma, mesoderma e endoderme).
Origem ectodérmica – epiderme, epitélio do nariz, epitélio da boca, glândulas sebáceas, glândulas mamárias, glândulas salivares.
Origem mesodérmica – endotélio (vasos sangüíneos), epitélio do sistema urogenital (menos a bexiga), epitélio das membranas que envolvem órgãos (serosa intestinal, pleura, pericárdio, etc).
Origem endodérmica – epitélio que reveste a luz do tubo digestório, a árvore respiratória, o fígado e o pâncreas, epitélio da bexiga urinária, glândulas tireóide e paratireóide.
A larga distribuição dos epitélios no nosso organismo, em órgãos com as mais diferentes funções, explica o porque da variada morfologia e fisiologia dos tecidos epiteliais, bem como sua múltipla origem embrionária.
Apesar de sua morfologia e funções variadas os tecidos epiteliais apresentam várias características básicas comuns.
1.
Forma das células: variam de achatas a prismáticas, com todas as formas intermediárias.
2. Forma dos núcleos: variam de esféricos até elípticos, com formas intermediárias. A partir da forma do núcleo é possível se identificar a forma das células. O eixo maior dos núcleos sempre acompanha o eixo maior das células.
3. Ausência de substância intersticial: com exceção de uma camada muito delgada de glicocálix, não existe substância intersticial entre elas. Isto contrasta com a maioria dos outros tecidos do corpo, onde as células se encontram separadas por uma quantidade variável de fibras e matriz intercelular.
4. Presença de lâmina basal (fig. 3): quase todos os epitélios apresentam na sua superfície de contato com o tecido conjuntivo, uma estrutura biológica não celular denominada lâmina basal. Sua espessura é variável, mas ela não representa uma barreira na troca de substâncias, seu principal papel é dar maior resistência e aderência ao tecido epitelial.
5. Inexistência de vasos sangüíneos: todos os tecidos epiteliais são avascularizados, recebendo oxigênio, nutrientes e outras substâncias por difusão através do tecido conjuntivo e da lâmina basal.
6. Coesão entre as células (fig. 3): as células epiteliais apresentam uma intensa adesão mútua e, para separá-las, são necessárias forças mecânicas relativamente grandes. Esta adesão é tanto maior quanto mais o epitélio for sujeito a fortes trações. Além das estruturas envolvidas a presença do íon cálcio é fundamental para adesão entre as células.
7. Polaridade das células: a maioria das células epiteliais apresenta uma estrutura diferente, conforme observamos a porção do citoplasma que está acima ou abaixo do núcleo. Convencionou-se chamar de pólo basal a região que está entre o núcleo e a membrana basal e de pólo apical, a região oposta.
8. Especializações da membrana apical (Fig 2): em diferentes tecidos encontram-se: microvilosidades; cílios, flagelos, estereocílios.
CASSIFICAÇÃO DOS EPITÉLIOS
1. Quanto à forma das células: pavimentoso, cúbico ou prismático.
2. Quanto à quantidade de camadas: simples ou estratificado.
3. Epitélios glandulares: os epitélios que formam as glândulas.
TIPOS DE EPITÉLIOSEpitélios simples:
1- Epitélio simples pavimentoso - exemplos de localização: endotélios dos vasos e mesotélios das cavidades naturais (pleura, peritônio e pericárdio).
2- Epitélio cúbico simples - exemplos de localização: superfície do ovário, túbulos renais (Fig 4).
3- Epitélio cilíndrico simples - exemplos de localização: revestimento do intestino (Fig. 2), do estômago.
4- Epitélio pseudo-estratificado- exemplos de localização: revestimento das vias respiratórias (Fig. 5).
Fig. 4 - Epitélio de revestimento dos túbulos renais - seta (UFBP)
Fig 5 - Epitélio de revestimento da traqueia (UFRJ)
Epitélios estratificados:Sua classificação baseia-se na forma das células das camadas mais superficiais.
1- Epitélio estratificado pavimentoso (Fig.6): encontrado principalmente na pele, onde se nota que as células vão se achatando à medida que se aproximam da superfície. Também presente na língua e esôfago.
2-
Epitélio estratificado prismático: com distribuição reduzida é observado na conjuntiva do olho humano.
3-
Epitélio estratificado de transição (Fig. 1): reveste internamente a bexiga, caracteriza-se por suas células superficiais não serem nem prismáticas nem pavimentosas, mas globosas. Neste epitélio o número de camadas e a forma das células superficiais variam conforme o órgão esteja distendido ou não.
Fig. 6 - Corte de língua: 1- epitélio; 2 conjuntivo (ICB2- UFG) 
ALGUNS TERMOS ESPECÍFICOS
1- Membranas mucosas: Termo usado para designar o conjunto de epitélio mais tecido conjuntivo que reveste cavidades úmidas como a boca, bexiga, intestinos e outras, em contraste com a pele que é seca. O tecido conjuntivo que constitui as membranas mucosas recebe o nome de lâmina própria ou córion.
2- Neuroepitélios: constituídos por células epiteliais com função sensorial, são encontrados nos órgãos de audição, olfação e gustação.
3- Epitélios glandulares: são aqueles constituídos por células que apresentam atividade característica de secreção. A natureza das secreções é variável podendo se constituir de proteínas, lipídios ou complexos de carboidratos e proteínas. No caso das glândulas mamárias todas as três substâncias são secretadas. Há glândulas unicelulares (intestino e árvore respiratória) e multicelulares (salivares, sudoríparas, sebáceas, mamárias, etc). As glândulas originam-se sempre dos epitélios de revestimento.
4- Lâmina própria: os epitélios mucosos repousam sempre sobre uma camada de tecido conjuntivo ricamente vascularizada, chamada lâmina própria (a ligação entre a lâmina própria e os epitélios, como já vimos se chama lâmina basal). A lâmina própria serve de apoio aos epitélios mucosos e os prende aos tecidos vizinhos.
5- Papilas: Muitas vezes se observam evaginações da lâmina própria aumentando a superfície de contato e a adesão, estas evaginações são chamadas de papilas. Na língua e pele as papilas são freqüentes.
6- Inervação: todos os epitélios recebem terminações nervosas livres que, às vezes, formam uma rica rede intra-epitelial
Nota: Os links das imagens disponibilizadas na Internet constam nas legendas das respectivas figuras.
Bibliografia:
ALBERTS, Bruce et al. Fundamentos da Biologia Celular. Porto Alegre, ARTMED, 1999.
DI FIORI, M.S.H. 1988. Atlas de Histologia. 7ª ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan AS 229p.
JUNQUEIRA, L.C.U. ; CARNEIRO J. Histologia Básica. 10ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004.